CIDADES DE PAPEL- Quando meus planos  sofrem rachaduras.

Sinopse retirada do livro: Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

Autor do Livro: John Green é de nacionalidade Estaduniense, cursou na faculdade inglês e teologia, pós se formar trabalhou cinco meses como capelão em um hospital infantil (foi talvez essa experiência que o inspirou o livro A culpa é dás Estrelas) até então o seu objetivo era ser Pastor da Igreja Episcopal. Em 2008 escreveu Cidades Papel (seu terceiro livro) estreou na quinta posição na lista de best sellers do The New York Times, em 2015 o livro foi adapatdo para filme. Green é casado desde de 2006 e tem dois filhos, embora seja um cristão episcopal, se casou na igreja católica romana, o autor já falou abertamento no youtube sobre ter trasntorno obcesssivo compulsivo.

1ª Parte Quentin (chamado no livro de Q.) é um garoto típico do ensino médio: inteligente, engraçado e nerd. Ele é vizinho da maravilhosa Margo (é assim que ele a percebe) desde os dois anos de idade. Seus pais são amigos, mas eles são crianças completamente diferentes. Margo é uma criança extrovertida, curiosa e, até em função disso, eles encontram o corpo de um homem em um parque. A cena trágica, que parece retratar um suicídio, é narrada sob a visão de uma criança de nove anos. Q. pensa em buscar os pais e pedir ajuda, demonstrando percepção da gravidade da situação. Margo, porém, faz perguntas sobre a morte e depois “investiga” a respeito do homem. Já adolescentes, Margo se torna a popular do ensino médio. Ela transmite a impressão de representar o arquétipo de uma adolescente vivaz, desafiadora, inquieta e espontânea. Nessa fase, os dois estão distantes um do outro e mantêm apenas uma relação cordial.

2ª Parte: Reconexão dos fios: Uma noite, Margo aparece vestida de preto e com o rosto pintado de preto, parecendo um “ninja”, na janela do quarto de Q., e ele a recebe: — A que devo a honra?

Ela responde: — Hoje, meu bem, vamos acertar um monte de coisas que estão erradas. E vamos estragar algumas que estão certas. Os últimos serão os primeiros, e os primeiros, os últimos; os mansos herdarão a terra. Mas, antes de redefinir completamente o mundo, precisamos fazer compras.Ela envolve Q. em um plano de vingança contra onze pessoas e fará tudo isso em uma única noite (é engraçado). Eles realizam o plano de vingança durante a noite e a madrugada, terminam pela manhã, e Q. fica feliz e vai para a escola.

3ª Parte Em busca de Margo: Após a noite das vinganças, Margo foge de casa (mais uma vez; ela já havia feito isso outras vezes). Os pais ficam preocupados, mas ninguém se mobiliza para encontrá-la devido aos episódios anteriores. Entretanto, ela deixa pistas para ser encontrada usando um poema de Walt Whitman, “Canção de Mim Mesmo”: “Celebro a mim mesmo, e canto a mim mesmo; e aquilo que assumo, também vós assumireis; porque cada átomo que me pertence pertence igualmente a vós.” A ideia central desse trecho é que os seres humanos compartilham uma mesma condição e que estamos profundamente ligados. Margo é a personificação da idealização do pensamento: “Quando acontecer tal coisa, poderei começar a viver”, ou “Tudo será melhor quando eu alcançar um corpo novo, uma casa nova ou um trabalho novo.” Fiz uma análise da personalidade de Margo e do desenvolvimento na adolescência. Clique no link abaixo. 👇🏻

“Quando eu chegar lá, finalmente serei quem deveria ser.”

Quando encontrei esse livro de John Green, ele era conhecido como o autor de A Culpa é das Estrelas, mas eu não havia lido essa obra. Entretanto, achei interessante o título Cidades de Papel, comprei o livro e iniciei a leitura.

Não acho que seja indicado para adolescentes, por conta do conteúdo geral (algumas palavras e conteúdos sexuais são inadequados). É um livro para adultos.

A sustentação da leitura (o que muitos chamam de uma leitura um tanto arrastada) é um ponto frequentemente mencionado. No Skoob, as resenhas são, em sua maioria, negativas, com nota média de 3,0 quanto à experiência de leitura, e a taxa de desistência é alta.

Gostei do livro pela ideia central: temos ideias (esse seria o “papel”) sobre cidades e pessoas e percebemos que essas ideias não são apenas equivocadas, mas também perigosas. Enxergamos as pessoas como se tivessem apenas duas dimensões, como no papel, quando, na realidade, elas são muito mais complexas. As pessoas adoram as ideias que criam sobre si mesmas e sobre os outros, e gostamos de cultivar esses papéis. Por mais que imaginemos os outros conforme os nossos desejos, chega um momento em que surgem as rachaduras, a luz consegue entrar, e passamos a enxergar perfeitamente através delas.

A leitura do livro vale a pena com o objetivo de entender como construímos nossas percepções sobre o mundo, as pessoas e de desenvolver um olhar de uma cosmovisão mais fidedigna acerca deles. Uma cidade ou uma pessoa de papel é aquele tipo de situação que só pode existir no papel (podem existir cidades registradas apenas no mapa), e enxergamos pessoas fictícias que existem apenas em nosso registro mental. Quentin descobre que o processo para encontrar ou alcançar aquilo que desejou a vida toda não é o principal, e sim os processos que envolvem chegar até lá; isso definirá a ótica correta da situação.Veja: à medida que Quentin avançava na busca por Margo, suas percepções de perfeição sobre ela foram se desfazendo (as rachaduras). Esse é um ponto pelo qual a leitura vale a pena… Corremos, fazemos inúmeras tentativas, esforços sem medida e investimos grande empenho emocional. Quando as rachaduras aparecem, a luz entra, nós nos frustramos e tudo desmorona, porque a visão concreta não é como está nos nossos papéis.

Entenda, quando as rachaduras começarem a aparecer em seus relacionamentos até então perfeito em seus papéis, o que você vai fazer?

Este cartão é para você escrever seus ideais. Use um cartão para cada ideal de vida e, até alcançar seu objetivo, durante o período de espera ou de entusiasmo inicial, escreva nele sobre esse processo, principalmente sobre as rachaduras que o farão observar a realidade. Guarde o cartão e vá revisitando-o ao longo do tempo; isso o ajudará a tomar decisões com mais sobriedade.